TRADU & ÕES


06/04/2009


James Joyce
Música de Câmara
(CHAMBER MUSIC)

(Cinco primeiro poemas retraduzidos)


Poema I

Cordas do ar na terra,
Fazem doce música.
Cordas fluidas do rio
ecoam dos salgueiros.

Há música ao longo do rio
destes viajantes amorosos;
As Flores pálidas cobrem
as brunas folhas dos raminhos.


Tocam suaves em tudo,
inclinam-se à música,
acordes vagueiam-se
como num instrumento...

Poema II

A transformação crepúsculo ametista
fundo mais azul profundo,
à luz preenchida do abajur verde pálido
das árvores da alameda.

Soa o velho piano no ar,
brando, tranqüilo, jovial
das teclas amareladas
reclinando-se a cabeça.

Sérios adágios tímidos
vagueiam em seus olhos
atidos brotam crepúsculo azul marinho
da luminosidade desta ametista.


Poema III

Naquele instante detêm todas as coisas,
no firmamento o desolado observador,
ouve o vento noturno dos suspiros,
tangidas harpas amores reunidos
nos pálidos portões do fascínio??

Quando as coisas cessarem sós
atentas às harpas doces tangidas
do amor. E a noturna aura,
contraporá à antífona,
findando-se esta noite?

Ressoam harpas invisíveis amorosas,
do incandescente céu,
luzes meigas vão e vêm,
fazendo música suave
terno o ar reprimido da terra.
 

Poema IV

Quando brota à tímida estrela
desconsolada garota
ouve sonolenta
aquele cantor no portão.

A lívida suave ária do orvalho
veio-lhe visitá-la.

Não cante mais alto
do que está cantarolando,
nem à musa: Poderá ser,
o cantor dizendo-lhe ao coração?
Reconhecer-se-á o canto amante,
sou eu o visitante.

Poema V

Soa da janela,
dourado cabelo,
ouvi-o cantando
no ar alegre.

Cerro livro,
não o leio mais,
observo altivez da dança
ao chão.

Soa vibrando
o alegre ar,
da janela soa
dourado cabelo.

Eric Ponty

Escrito por Eric Ponty às 03h59
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

01/02/2009


Magi - Sylvia Plath

As abstrações pairam na anseia tediosa dos anjos:
Não são vulgares como nariz e os olhos
evidentes nas estampas com as faces ovais.

Pálidos ursos não se incluem nas lavanderias,
cinzas,  gizes sorvidos à gosto. São coisas
reais. São toda verdade: São toda bondade.

Saudáveis e puros na água fervida
exaltando-se nas refeições da mesa
quando a criança sorri com o ar afável.

Seis meses no mundo, e ela pode balançar
com suas quatro efígies na rede,
para ela, a diabólica noção do demônio.

Acolhe-la no berço é menor do que dor de barriga,
e o amor da mãe do leite não passam de conjecturas
misturadas a estrela, dos contos populares de Deus.

Querem a caixa como algum Platão a imanência.
aceitando colher em seu coração com um mérito.
Qual menina não se esfarinha por tais companhias.

trad. Eric Ponty

Escrito por Eric Ponty às 20h08
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

14/01/2009


O Cemitério Marinho - Tradução em dodecassilabos brancos em português do original francês alexandrino de Paul Valéry

Primeira versão 1997 – A voz do Lenheiro Editora – São João del-Rei– versão on line por Eric Ponty – 2009
Coprigh Eric Ponty
semi-finalizada



Alma minha, não aspires à vida imortal,
Todavia a exaustão do possível.
PÍNDARO, Píticas III, ep. 3

Este teto repousado - prado de pombas
do palpitar dos pinheiros entre jazidos.
O meridiano sol perpetrou-se no brio,
O mar, o sempre recomeço deste mar,
oferta da recompensa do pensamento,
da espaçosa placidez do olhar dos deuses!

Esplendorosa luz, exímio presumido
extenso diamante de impalpável espuma,
do qual da ideada paz pura então se idéie!
Quando doirada à luz do sol sobre abismo,
da pura lide eterna da causa exilada,
o tempo de sonhar é tempo de saber.

Firme tesouro do templo de Minerva,
da imponente calma, da visória reserva,
de rumorosa água, de asilada visão,
deslumbrada labareda do grado sonho.
Oh, silenciosa mansão de pascida alma,
recoberto doirado das mil telhas. Teto!

O Templo do tempo egrégio do suspiro!
Ascendo-me à candidez do cume e afeiçôo,
ao meu oceânico olhar puro a abranger,
das divindades, da mais perfeita oferenda,
pacificada cintilação esparzida,
desdouro nestas soberanas alturas.

É sumo deleite liquefeito da fruta,
deformada delícia distraída da boca,
perpetrando-se dos contornos ausentados.
Feneço-me da minha futura fumaça,
céu cantarola sumo à trespassada alma,
das inquietações estrondosas neste cais.

Vero céu formoso sinto transfigurei!
Após tanto orgulho, tantos estranhos ócios
sobrecarregado ainda plenos domínios,
da embevecida cavidade ao renunciar
casas dos mortos, a sombra minha perpassa
domesticando-se neste frágil mover.

As tochas de solstício da alma desvendada,
sustento-te eu, na luz de admirável justiça
das artilharias sem piedade, devolvo-as;
modesto hábito elementar. Pressinto-as.
Não obstante... Oferto-me todas as claridades
cridas em serem avejões meio embasados!

É para mim, É para mim só, e eu também
aconchegado coração - foz do poema-
do êxito candidez da vácua bravura
interna confiança do meu rumor: da fosca
amarga cisterna ressoada de mim
neste continuo vácuo do futuro d alma.

Falso, o Sábio habitante da ramagem,
do golfo devorador das folhagens débeis,
-sigiloso do êxtase sentidos meus-,
corpo arrasta-me ao rematar pesaroso,
da fronte, ósseo solo, aliciar-me tanto?
Na centelha medito-me dos meus ausentes.

Sacrílego, do pleno fogo sem matéria;
do fragmento terrestre dedicado à luz
Agrada-me do local alto do Brandão,
ouro, dos pedregosos cedros saturados,
do vasto mármore fulgido avejões;
Oh mar leal acalmado das minhas tumbas!

Idólatra afasta a cadela presunçosa!
Quando sorridente pastor tão solitário,
apascenta-nos dos carneiros misteriosos,
cândido gado das minhas serenas tumbas,
quanto das ajuizadas pombas repudiem,
elusivos sonhos, dos anjos curiosos!

Visto daqui é a calmaria do futuro,
nítido inseto aniquilou a secura;
neste ar sofrido, exauridas derrotas,
não possuo mais desta sigilosa essência.
A vasteza da vida liberta presença,
o doce é amargo, claro é o espírito.

Os falecidos encravados do terreno,
infrutífero mistério ainda resguarda,
elevado meio-dia, pousada superfície,
meditando-se a si próprio se harmoniza,
da fronte cabal, diadema irretocável,
do interior sou a sua mais secreta mudança.

Ao temor seu mais intimo, só eu domino!
Arrependimento próprio das minhas dúvidas,
efeitos contornados do grado diamante...
Do anoitecer fez-se opressivo mármore,
vaga povo seu entre as raízes dos cedros,
tomaram a si do partido lentamente.

Fundidos ficaram eles da espessa ausência
da rubra argila embebida desta alva espécie,
da Dádiva de viver transpôs-se as flores!
Donde mortos postados das frases mais íntimas,
da arte reservada, das almas singulares?
A Larva depositada fundiu-se das lágrimas.

Dos Alaridos irados da moça irritada
olhos, dentilhões, das pálpebras encharcadas,
dos cintilantes gratos seios dos seus ardores,
dos lábios abrasados rubros que a renderam,
da extrema dádiva, acudiram-na aos dedos,
debaixo do solo tudo mescla ao jogo.

Da sua alma graduada, devaneio casual
da esperança franca destas nuanças do engano,
olhar funesto fingiu nesta onda dourada?
Terá sido cântico do ar? Oh admire!
Tudo escuta! Minha presença porosa
nesta sagrada impaciência também se perece!

Ah Magra imortalidade sombria doirada,
laureada consoladora tão maternal,
do aprazível ardil devotada argúcia,
do carpido da morte fez-se seio fatal!
Quem não reconhece, quem não lhe desarrima,
esbranquiçado crânio sorriso eterno.

Os pais profundos de cabeças tão ermas,
carpidas ao peso nestas largas pazadas,
da terra fizeram-se confundidos passos,
o roedor certeiro, verme irrefutável,
darão lugar amortecidos nesta tábua,
essencial da vida, não desfigura mais.

Quem sabe do amor, se ódio de mim próprio?
Tão próximo a mim mais encoberto dente,
dos quais  vários seus nomes podem nominar!
envolve-nos! Observa, aspira, sonha, alcança,
minha carne manta resguardada o leito,
pertence-me alguma coisa da sua vida!

Zenão, Inumano Zenão! Zenão de Eléia!
Faz-me da trespassada flechada adejada,
vibrar voeja, contudo nunca retorna!
O ruído engendrou sua flecha assassina.
Ah! O sol! Qual sombra da tartaruga Aquiles,
d alma, entorpecido está aos longínquos passos!

Não! Não!... De pé! Nestas sucessivas eras!
A Brisa verve-me de forma absorta frágil!
O Peito nesta nascente da aragem solve-me!
O frescor do oceano exalou do corpo,
reprimindo-me alma... Oh pujança salgada!
Corramos ao marouço arriba vivo!

Oh sim! Imenso mar dotado de delírios,
pele de pantera de chambre perfurado
dos mil de quilíades ídolos do sol;
Hidra absoluta da carne bebida azul,
ao mordiscar-me foi da cintilante cauda
fazendo o alarido tecido silêncio.

Alçados ventos! … Fugaz é tentar durar!
Ar imenso acende enclausurado livro,
O pó finório ousou-se misturar rochas!
Voem páginas minhas todas espraiadas!
Ondas irrompam-se das águas jubilosas.
do repousado teto, faiscados focos!

Escrito por Eric Ponty às 06h09
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

21/09/2008


O Sonho de CHUANG CHEN

Nos Sonhos, CHUANG CHEN se converteu em mariposa
e a mariposa volta a ser Chuang Chen.
Um só corpo toma diversas formas.
As coisas terrenas na verdade são incertas.
Quem sabe se água de Pen-lai no provém de um
humilde córrego!
E que agora agricultor de melões nas Portas Verdes
não teria sido o duque de Tong-ling.
Nobreza e fortuna são assim, fugazes.
Sendo aquilo esvaido não é o que desejado?

Li Po trad. Eric Ponty

Escrito por Eric Ponty às 19h52
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

31/08/2008


A rosa e a salsa

A rosa ia-se abrindo
abraçada a salsa.
A árvore apaixonada
a amava tanto!

Porém a menina enamorada
roubou
E a salsa desconsolada
está chorando.

Francisco Silva trad. Eric Ponty

Escrito por Eric Ponty às 04h48
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

26/08/2008


Soneto IV

Do colorido da rosa e açucena.
E deste olhar gostoso doce e honesto.
E este formoso colo branco fino.
E boca de rubi e pétala cheia.

A mão deste alabastro que encadeia
E ao que mais contra Amor está disposto.
E ao mais livre e tirano pressuposto
desterrada das almas enaltecidas.

Esta rica formosa primavera
cujas flores da graça e formosura
a ofertar que não pode ao tempo furioso.

São situações que viva eu e que morra.
E são deste descanso e minha ventura
princípio e fim e alivio do meu cuidado.

Francisco de Quevedo – Trad. Eric Ponty

Escrito por Eric Ponty às 03h53
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

Tenho a deidade fiel

Tenho a deidade fiel
E minha deidade perdida;
Uma é como rosa
a outra como espinha.
Não a que me roubaram
não fui despossuída.

Tenho a deidade fiel
E minha deidade perdida;
Estou rica de púrpura
E de melancolia.
Ai amante é a rosa
E amada é a espinha.

Como o duplo contorno
das duas frutas melissas
Tenho a deidade fiel
E minha deidade perdida.

Gabriela Mistral – Eric Ponty

Escrito por Eric Ponty às 03h27
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

Equivocou-se a pomba.

Equivocou-se a pomba.

Equivocou-se a pomba.
Equivocou-se.
Por ir ao norte, foi ao sul.
Cria que o trigo era água.
Equivocou-se.
Cria que o mar era o céu;
Que a noite, a manhã.
Equivocou-se.
Que as estrelas, roçaram;
que calor, a nevava.
Equivocou-se.
Que esta saia era sua blusa;
Que este coração, sua casa.
Equivocou-se.

Ela adormeceu na encosta
Tu a encobres em um galho.

Rafael Alberti- Trad. Eric Ponty

Escrito por Eric Ponty às 00h43
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

26/06/2008


Pequena Cascata

Ninfa, revendo-a sempre
desfaz-se suas vestes.
seu corpo exalta-se altivo
urde onda circular viva.

Sem trégua muda veste
em sua vasta madeixa:
tanto puída trazendo a vida
alterada compleição pura.

País, detido meio caminho
dentre a terra e dos céus,
vozes de água brônzea,
doce, duro, púbere e velho.

Oferenda içada
mãos acolhedoras:
belo país findo
ávido pão.

Tudo canta aqui vida de antes,
sem torcer o contorno da manhã:
adivinham-se, valentes, primitiva força.
o céu e o vento, e o irmão e o pão.

Não que se propaguem todas as partes
defendendo sempre contornos anosos:
é a terra contenta em sua efígie
consentindo-se em primeiro dia.

Vento toma este país como o artesão
apreciando a matéria desde sempre:
ao encontrar-la, ávida, ao  sabe fazer
exaltando-se no trabalho.

Nada deteria impulso magnífico; nada
sabia opor-se a esta fogosa audácia:
também aquele, ao fazer-se enorme passo atrás,
tendo obra sua o claro espelho do espaço.

Rainer Maria Rilke – Trad. Eric Ponty

Escrito por Eric Ponty às 04h40
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

20/03/2008


Matsuo Bashô 1 (1644-1694)

Primavera ida,
queixas de pássaros,lágrimas
nos olhos dos pés.

******
Outros agora
em minha choça - manhã
casa de meninas.

******
Olhar, admirar
folhas verdes, folhas novas
entre a luz solar.

******
Rápido chego
a ti, cabelos Negros:
mudança de hábito.

******
Kasane, disse?
nadeshiko deve ser
cravelha dobrada

******
Nem tu a tocarás
pássaro carpinteiro:
orquídea e verão.

******

Sandálias santas:
inclino-me: elas aguardam-me
verão dos montes.

*******

No prado a cavalo,
de repente se detém:
Ele o monsenhor.

Eric Ponty

Escrito por Eric Ponty às 18h12
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

06/02/2008


O Livro dos desejos

Eu não posso fazer os acervos
O sistema é o lance
Eu estou vivendo com comprimidos
aos quais agradeço a G-d
Eu segui o rumo
Do caos à arte
Desejei um cavalo
Deprimi-me num carro
Eu flutuei como um cisne
Eu afundei-me como rocha
O longo tempo é passado
Após meu aguardado riso
Minha página era excessivamente branca
Minha tinta era demasiado fina
não descreveria-lhe o dia
de que a noite escreveu em meus estranhos animais
meu anjo transformou-se
Mas eu não me permito
Nenhum traço pesaroso
para alguém queira usar
O que eu não poderia ser
Meu coração pertencerá a ela
Impessoal
fará seu trajeto
Verá o que significo
Minha vontade de me cortar por dentro parcialmente
E no meio a liberdade
Por menos um segundo
Nossas vidas chocarão
O infinito pendido
O vão aberto da porta
Será carregado então
por alguém gostou de você
O que ninguém fez
Continuará a fazer
Eu sei se ela virá
Eu sei se ela olhará
E aquilo desejei
neste livro

Leonard Cohen - trad. Eric Ponty

Escrito por Eric Ponty às 06h34
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

21/09/2007


CORRESPONDÊNCIAS

A Natureza é um templo onde vivos pilares
Deixam, às vezes, brotar confusas palavras;
O homem passa através dos bosques de símbolos
observando com olhares familiares.

Como prolongados ecos dos leitos confundem-se
Em uma tenebrosa e profunda unidade,
Vasta como a noite de claridade,
Os perfumes, as cores e os sons correspondem.

Há perfumes frescos como carnes dos meninos,
Suaves quais os oboés, verdes pradarias,
e outros, corrompidos, ricos e triunfantes,

Que tem a expansão das coisas infinitas,
o âmbar, o almiscar, a bijuí e o incenso,
cantando os transportes do espírito e dos sentidos.

Charles Baudelaire - Trad. Eric ponty

Escrito por Eric Ponty às 02h28
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

18/02/2007


Kinder toten lieder

Agora o sol sairá tão brilhante

Agora o sol sairá tão brilhante
Como se nenhuma desgraça houvesse ocorrido na noite.
A desgraça só tem-me tocado.
O sol - fulgurante de todos.

Não leveis à noite dentro;
Submergida da luz eterna.
Uma luzinha apagou-se em meu lugar;
Luz que dais alegria ao mundo, bem-vinda és !

Friedrich Rückert (1788-1866) - Trad. Eric Ponty

Escrito por Eric Ponty às 03h23
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

23/12/2006


Dois Poemas de Samuel Beckett

1


chegam
iguais e distintas
cada uma é igual é distinta
cada uma é a ausência do amor diferente
cada uma é a ausência do amor semelhante

2

para ela, o ato tranquilo
os poros sábios do sexo da boa menina
a espera não muito lenta das lamentações não são demasiadas largas da ausência
ao serviço da presença
os poucos fragmentos azuis na cabeça pulsadas do coração morta ao fim
toda a graça tardia de uma chuva cessa
com a chegada desta noite
de agosto
vazia
de puro
amor

Samuel Beckett - Trad. Eric Ponty

Escrito por Eric Ponty às 21h07
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

17/12/2006


UMA FOLHA, desabrochada

para Bertolt Brecht

Que tempos são estes,
em que um diálogo é quase
um crime, porque se encerra
tanta coisa dita?

Paul Celan - Trad. Eric Ponty

Escrito por Eric Ponty às 05h58
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

Histórico