Primeira versão 1997 – A voz do Lenheiro Editora – São João del-Rei– versão on line por Eric Ponty – 2009
Coprigh Eric Ponty
semi-finalizada
Alma minha, não aspires à vida imortal,
Todavia a exaustão do possível.
PÍNDARO, Píticas III, ep. 3
Este teto repousado - prado de pombas
do palpitar dos pinheiros entre jazidos.
O meridiano sol perpetrou-se no brio,
O mar, o sempre recomeço deste mar,
oferta da recompensa do pensamento,
da espaçosa placidez do olhar dos deuses!
Esplendorosa luz, exímio presumido
extenso diamante de impalpável espuma,
do qual da ideada paz pura então se idéie!
Quando doirada à luz do sol sobre abismo,
da pura lide eterna da causa exilada,
o tempo de sonhar é tempo de saber.
Firme tesouro do templo de Minerva,
da imponente calma, da visória reserva,
de rumorosa água, de asilada visão,
deslumbrada labareda do grado sonho.
Oh, silenciosa mansão de pascida alma,
recoberto doirado das mil telhas. Teto!
O Templo do tempo egrégio do suspiro!
Ascendo-me à candidez do cume e afeiçôo,
ao meu oceânico olhar puro a abranger,
das divindades, da mais perfeita oferenda,
pacificada cintilação esparzida,
desdouro nestas soberanas alturas.
É sumo deleite liquefeito da fruta,
deformada delícia distraída da boca,
perpetrando-se dos contornos ausentados.
Feneço-me da minha futura fumaça,
céu cantarola sumo à trespassada alma,
das inquietações estrondosas neste cais.
Vero céu formoso sinto transfigurei!
Após tanto orgulho, tantos estranhos ócios
sobrecarregado ainda plenos domínios,
da embevecida cavidade ao renunciar
casas dos mortos, a sombra minha perpassa
domesticando-se neste frágil mover.
As tochas de solstício da alma desvendada,
sustento-te eu, na luz de admirável justiça
das artilharias sem piedade, devolvo-as;
modesto hábito elementar. Pressinto-as.
Não obstante... Oferto-me todas as claridades
cridas em serem avejões meio embasados!
É para mim, É para mim só, e eu também
aconchegado coração - foz do poema-
do êxito candidez da vácua bravura
interna confiança do meu rumor: da fosca
amarga cisterna ressoada de mim
neste continuo vácuo do futuro d alma.
Falso, o Sábio habitante da ramagem,
do golfo devorador das folhagens débeis,
-sigiloso do êxtase sentidos meus-,
corpo arrasta-me ao rematar pesaroso,
da fronte, ósseo solo, aliciar-me tanto?
Na centelha medito-me dos meus ausentes.
Sacrílego, do pleno fogo sem matéria;
do fragmento terrestre dedicado à luz
Agrada-me do local alto do Brandão,
ouro, dos pedregosos cedros saturados,
do vasto mármore fulgido avejões;
Oh mar leal acalmado das minhas tumbas!
Idólatra afasta a cadela presunçosa!
Quando sorridente pastor tão solitário,
apascenta-nos dos carneiros misteriosos,
cândido gado das minhas serenas tumbas,
quanto das ajuizadas pombas repudiem,
elusivos sonhos, dos anjos curiosos!
Visto daqui é a calmaria do futuro,
nítido inseto aniquilou a secura;
neste ar sofrido, exauridas derrotas,
não possuo mais desta sigilosa essência.
A vasteza da vida liberta presença,
o doce é amargo, claro é o espírito.
Os falecidos encravados do terreno,
infrutífero mistério ainda resguarda,
elevado meio-dia, pousada superfície,
meditando-se a si próprio se harmoniza,
da fronte cabal, diadema irretocável,
do interior sou a sua mais secreta mudança.
Ao temor seu mais intimo, só eu domino!
Arrependimento próprio das minhas dúvidas,
efeitos contornados do grado diamante...
Do anoitecer fez-se opressivo mármore,
vaga povo seu entre as raízes dos cedros,
tomaram a si do partido lentamente.
Fundidos ficaram eles da espessa ausência
da rubra argila embebida desta alva espécie,
da Dádiva de viver transpôs-se as flores!
Donde mortos postados das frases mais íntimas,
da arte reservada, das almas singulares?
A Larva depositada fundiu-se das lágrimas.
Dos Alaridos irados da moça irritada
olhos, dentilhões, das pálpebras encharcadas,
dos cintilantes gratos seios dos seus ardores,
dos lábios abrasados rubros que a renderam,
da extrema dádiva, acudiram-na aos dedos,
debaixo do solo tudo mescla ao jogo.
Da sua alma graduada, devaneio casual
da esperança franca destas nuanças do engano,
olhar funesto fingiu nesta onda dourada?
Terá sido cântico do ar? Oh admire!
Tudo escuta! Minha presença porosa
nesta sagrada impaciência também se perece!
Ah Magra imortalidade sombria doirada,
laureada consoladora tão maternal,
do aprazível ardil devotada argúcia,
do carpido da morte fez-se seio fatal!
Quem não reconhece, quem não lhe desarrima,
esbranquiçado crânio sorriso eterno.
Os pais profundos de cabeças tão ermas,
carpidas ao peso nestas largas pazadas,
da terra fizeram-se confundidos passos,
o roedor certeiro, verme irrefutável,
darão lugar amortecidos nesta tábua,
essencial da vida, não desfigura mais.
Quem sabe do amor, se ódio de mim próprio?
Tão próximo a mim mais encoberto dente,
dos quais vários seus nomes podem nominar!
envolve-nos! Observa, aspira, sonha, alcança,
minha carne manta resguardada o leito,
pertence-me alguma coisa da sua vida!
Zenão, Inumano Zenão! Zenão de Eléia!
Faz-me da trespassada flechada adejada,
vibrar voeja, contudo nunca retorna!
O ruído engendrou sua flecha assassina.
Ah! O sol! Qual sombra da tartaruga Aquiles,
d alma, entorpecido está aos longínquos passos!
Não! Não!... De pé! Nestas sucessivas eras!
A Brisa verve-me de forma absorta frágil!
O Peito nesta nascente da aragem solve-me!
O frescor do oceano exalou do corpo,
reprimindo-me alma... Oh pujança salgada!
Corramos ao marouço arriba vivo!
Oh sim! Imenso mar dotado de delírios,
pele de pantera de chambre perfurado
dos mil de quilíades ídolos do sol;
Hidra absoluta da carne bebida azul,
ao mordiscar-me foi da cintilante cauda
fazendo o alarido tecido silêncio.
Alçados ventos! … Fugaz é tentar durar!
Ar imenso acende enclausurado livro,
O pó finório ousou-se misturar rochas!
Voem páginas minhas todas espraiadas!
Ondas irrompam-se das águas jubilosas.
do repousado teto, faiscados focos!